Passei os últimos anos de minha vida olhando profundamente para dentro de mim, não numa atitude egoísta em que não enxergava outras pessoas, algumas, aliás, muito queridas e do meu convívio, mas numa interiorização que se fez necessária para que eu pudesse melhor me conhecer, lembrando do antigo lema “conheça-te a ti mesmo”. Esse olhar se fez preciso e fez parte de um processo de mudança de casa, de amor, da forma de encarar o trabalho, de amar, de conviver, de viver a vida, enfim. Nesse período, como sempre em minha jornada, a espiritualidade se fez muito presente e me proporcionou que essas mudanças me levassem (e continuam me levando), a um caminho de encontro do equilíbrio, da expansão da consciência, do amor por mim e por todos.
Compreendi, não sem esforço, que somente quando lançamos um olhar inteligente sobre nós e nos propomos a promover as mudanças necessárias, nos vemos capazes de crescer e de ser útil. Percebi que foi preciso admitir minhas próprias falhas, como quem pleonasticamente “encara o bicho de frente”, para poder iniciar o processo de transformá-las em algo melhor. E admitir falhas não é fácil e não é somente “confessar” que erramos uma questão da prova ou que falamos algo impensado, mas admitir que temos medo, dúvidas, carências, insegurança...
No entanto, ao admitirmos a fragilidade que está em nós, percebemos, ao mesmo tempo, que somos também fortes, pois é preciso ser forte para admitir que nem sempre a culpa por alguma coisa é dos nossos amigos, das pessoas que fazem parte da nossa rotina ou do destino que não foi gentil conosco. Esse exercício pode ser dolorido, pois a maior frustração e dor são aquelas que temos com nós mesmas; seria muito mais simples atribuir à vida ou aos demais a responsabilidade pelo nosso infortúnio. Mas o exercício vale a pena.
Percebi ainda que enquanto não praticarmos a lição de casa, sempre estaremos destinadas a sermos vítimas, a reclamarmos que alguém nos pegue constantemente no colo e que sempre nos dê razão e atenção infinitas. Queremos muitas vezes nos apossar do outro para nos sentirmos amadas e, mesmo assim, não acreditamos nesse amor. Sem perceber, armamos nossa própria armadilha. Essa condição de vítima é a que nos causa maior dor.
Por outro lado, como amar o próximo quando somos incapazes de amar a nós próprias? Como perceber e gostar da beleza da lua ou da flor quando não conseguimos sequer olhar no espelho, pois não gostamos do que vemos ali?
Sendo assim, tenho aprendido também que cultivar a auto-estima não está errado; que dedicar um tempo a nós, de algum modo, em meio aos afazares diários agregado à constante oração e fé é essencial para que estejamos minimamente bem. Lembram-se do mandamento “amarás o teu próximo como a ti mesmo”?
Somente quando aprendermos esse item básico (mas não tão básico assim), começaremos a perceber o que é o amor, e que é muito, muito bom termos amigos e amor verdadeiros e que estamos com essas pessoas por opção e não por necessidade. Somente aí começaremos a experimentar o equilíbrio e a capacidade de ser e estar e que o amor, a compreensão, a compaixão, o perdão e a liberdade são vigas mestras para qualquer relação ou atividade altruísta.
E você, o que pensa sobre isso?
Aguardo seu comentário, com muito amor.
Sandra
terça-feira, abril 27, 2010
Um Ponto de Vista
Postado por SANDRA PIEDADE às 12:32
Assinar:
Postar comentários (Atom)


2 comentários:
Sandra,
Muito bacana ver você caminhando com esta luz dentro de você. O amor próprio não é uma tarefa tão facil quanto as palavras.
Amar exige compaixão por nossos erros e humildade para mudar. Tudo isso é o contrário do sentimento de ser a vitima. Podemos ter compaixão mas jamais nos deixar aprisionar pela vitima. Afinal toda vitima exige um algoz. E estamos cheios deste jeito de viver não é?
Um beijo da MS e sucesso!
Não sei quantos degraus têm essa escada. Só sei que estou subindo. Olhar pra dentro (ou no espelho, se preferir) já não me assusta mais. Também passei da fase de culpar o mundo pelos meus infortúnios.
Estou agora na parte mais dolorida (pelo menos até aqui). Perdoar-me por tanto sofrimento caudado a outrem. Me impede de seguir em frente o pensamento de que causei mal a algumas pessoas, isso me traz uma necessidade enorme de corrigir meus erros. O conflito é: como seguir em frente voltando atrás?
Gostei do texto, acho q todos deveríamos praticar o auto-conhecimento.
Postar um comentário